Cartão de crédito: Herói ou Vilão?
Você já terminou de pagar a fatura do cartão e teve a sensação de que seu salário simplesmente desapareceu? Descubra como transformar o cartão de crédito de vilão à ferramenta para sua vida financeira.
Igor Santos | Método Prioridade
7/18/20265 min read


Se eu perguntasse agora se o cartão de crédito é um herói ou um vilão, provavelmente as respostas seriam bem diferentes.
Tem gente que diz que o cartão destruiu a sua vida financeira, enquanto alguns outros afirmam nunca ter pagado um centavo de juros, e ainda acumulam milhas, cashback e benefícios.
Então... quem está certo?
A resposta talvez seja diferente do que você imagina.
O cartão de crédito não nasce como um problema. O problema é que milhões de brasileiros recebem um cartão antes mesmo de aprender educação financeira básica. Sem saber que precisa gastar menos do que ganha.
E esse problema acaba não sendo pequeno. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC, 85,4% das famílias brasileiras endividadas possuem dívidas no cartão de crédito, tornando essa a modalidade de crédito mais presente entre os brasileiros endividados. E não é difícil encontrar o cartão no topo da lista quando o assunto é inadimplência.
Ou seja, o problema talvez nunca tenha sido o cartão em si, mas a forma como aprendemos (ou não) a utilizá-lo.
Quando o cartão deixa de ser ferramenta e vira armadilha
Vou te fazer uma pergunta simples.
Imagine que você ganha R$ 3.000 por mês, e o banco aprova para você um cartão com limite de R$ 2.000.
Qual é sua renda?
A resposta parce óbvia, são R$ 3.000.
Mas, sem perceber, muita gente começa a agir como se tivesse R$ 5.000 disponíveis para usar.
Compra uma roupa hoje, um celular amanhã, um jantar no fim de semana. Tudo porque "passa no cartão".
Acontece que o cartão não aumenta sua renda. Ele apenas antecipa um dinheiro que ainda nem entrou na sua conta.
E, quando a fatura chega, a realidade aparece.
A grande ilusão da parcela pequena
Existe uma frase muito perigosa:
"São só doze parcelinhas de R$ 79,00"
O nosso cérebro não soma o valor total (R$ 948). Ele olha apenas para a parcela (R$ 79).
E é exatamente por isso que tanta gente compra muito mais do que consegue pagar.
Quando você parcela várias compras ao mesmo tempo, acontece algo curioso.
Cada parcela parece pequena, mas a soma delas ocupa grande parte do salário no mês seguinte.
E, quando um imprevisto acontece, a conta simplesmente para de fechar.
O ciclo do cartão
É aqui que muitas pessoas entram em um ciclo difícil sem perceber.
Recebem o salário, pagam a fatura, e como o dinheiro acabou, passam o resto do mês comprando as coisas novamente no cartão.
Chega o próximo salário, pagam outra fatura, e repetem exatamente o mesmo comportamento.
Na prática, trabalham todos os meses somente para quitar compras feitas no mês anterior.
Se isso continuar por muito tempo, basta um imprevisto para que essa pessoa comece a atrasar pagamentos, financiar/parcelar a fatura, e entrar em uma das modalidades de crédito mais caras do mercado.
E aqui mora o verdadeiro perigo. Os juros do cartão de crédito podem variar entre 10% e 15% ao mês. Para efeito de comparação, um bom investimento costuma render cerca de 1% ao mês. Ou seja, enquanto você tenta fazer seu patrimônio crescer um pouco de cada vez, uma dívida no cartão pode crescer dez vezes mais rápido.
Como sair desse ciclo
A boa notícia é que existe saída.
Mas ela exige disciplina. Sim, a disciplina que você não teve quando perdeu a mão e acabou entrando nesse ciclo.
Se você percebeu que está vivendo para pagar a fatura, está na hora de reduzir as compras no crédito.
Durante um período, você precisa priorizar pagamentos no débito ou no PIX.
Por que?
Porque isso devolve a sensação que muita gente perdeu: Enxergar o dinheiro saindo da conta no momento da compra.
Essa consciência ajuda a controlar os impulsos. E ao mesmo tempo, procure diminuir o número de parcelas abertas.
Quanto menos compromissos futuros você tiver, mais liberdade financeira terá.
O cartão não é o inimigo
Agora vem a parte interessante.
Depois que você desenvolve organização financeira, o cartão pode deixar de ser um problema e passa a ser uma excelente ferramenta.
É exatamente isso que acontece na minha casa. Eu nunca tive muita facilidade para usar o cartão de crédito. Já minha esposa, embora tenha um cartão com limite até superior à própria renda, consegue utilizá-lo com bastante equilíbrio. Ela sabe exatamente quanto pode gastar, acompanha a fatura, e não fica dependendo do limite para fechar o mês.
Percebe a diferença?
Não é o cartão que muda, é o comportamente de quem o utiliza.
Quando o cartão trabalha a seu favor
Depois que existe controle financeiro, o cartão pode oferecer várias vantagens.
Você pode concentrar despesas em um único lugar, ganha prazo para pagar sem juros, acumula milhas, recebe cashback, organiza melhor o fluxo de caixa, e até mesmo pode parcelar uma compra planejada para manter dinheiro investido rendendo por mais tempo.
Mas existe uma condição: Esses benefícios só fazem sentido para quem paga 100% da fatura todos os meses, sem atraso.
Caso contrário, qualquer milha ou cashback será insignificante perto do juros cobrados.
Conclusão
Então... o cartão de crédito é um Herói ou um Vilão?
Para mim, ele não é nem um nem outro. É apenas uma ferramenta.
Nas mãos de alguém organizado financeiramente, pode facilitar a vida e gerar benefícios.
Nas mãos de alguém sem controle financeiro, pode acelerar e potencializar o endividamento.
O segredo nunca esteve no cartão, sempre esteve no comportamento.
Antes de buscar milhas, cashbacks, ou limites maiores, procure aprender a administrar bem aquilo que você já ganha.
Porque a educação financeira sempre vale mais do que qualquer benefício oferecido por um banco.
É com esse propósito que criei o Método Prioridade.
Eu percebi que só aumentar a minha renda não resolveria meus problemas financeiros. Juntando a experiência prática com a formação em Mercado Financeiro, desenvolvi esse método que tem ajudado pessoas sem nenhuma instrução financeira a começar a construir patrimônio com uma mentalidade investidora.
Como de costume, vamos concluir trazendo um princípio milenar. Afinal, aquilo que tem dado certo há milênios vale a pena ser levado em conta.
Provérbios 22:7 foi escrito pelo rei Salomão, que foi o homem mais rico que já pisou na terra. Este provérbio diz:
"Assim como o rico domina sobre o pobre, quem toma emprestado se torna servo de quem empresta."
Esse versículo não condena o crédito. Ele nos lembra que viver dependente de dívidas reduz nossa liberdade.
Quanto maior for o controle sobre seu dinheiro, menor será a necessidade de depender do crédito para sustentar seu estilo de vida, e consequentemente, maior será sua liberdade.