Consegui me organizar e poupar dinheiro. E agora?
Você finalmente conseguiu organizar sua vida financeira, começou a guardar dinheiro todos os meses e agora tem uma pergunta: o que fazer com esse dinheiro?
Igor Santos | Método Prioridade
8/21/20266 min read
Durante muito tempo, talvez você tenha pensado que o seu maior problema financeiro era ganhar pouco. Depois, começou a perceber que não era tão simples assim.
Você organizou seus gastos
Começou a controlar o cartão
Parou de parcelar qualquer coisa que aparecesse pela frente
Montou sua reserva de emergência
E começou a separar uma parte da sua renda antes de sair gastando
Parabéns.
Você chegou a uma etapa que a maioria das pessoas nunca alcança: conseguiu criar capacidade de poupança.
Mas agora aparece um novo problema.
Onde colocar esse dinheiro?
Deixar na conta corrente?
Colocar tudo na poupança?
Comprar um CDB porque alguém falou que "rende bem"?
Comprar ações porque viu uma empresa subindo?
Investir em criptomoedas porque um amigo ganhou dinheiro com bitcoins?
Calma.
Antes de escolher um investimento, precisamos aprender uma coisa muito mais importante:
investir não começa escolhendo um produto. Começa entendendo o objetivo.
Poupar e investir são coisas diferentes
Guardar dinheiro e investir dinheiro parecem a mesma coisa, mas não são.
Quando você poupa, está simplesmente separando uma parte da sua renda para não gastá-la.
Quando você investe, está dando uma função para esse dinheiro.
É como construir uma casa, poupar é juntar os tijolos.
Investir é decidir onde e como esses tijolos serão utilizados para construir alguma coisa.
E é justamente aqui que muita gente se perde.
A pessoa finalmente consegue guardar R$ 500 por mês e imediatamente pergunta:
"Qual investimento está pagando mais?"
Mas talvez essa não seja a melhor pergunta.
A pergunta deveria ser:
"Para que eu estou investindo esse dinheiro?"
Antes do investimento, vem o objetivo
Imagine que você queira comprar um carro daqui a um ano.
Agora imagine que queira construir patrimônio para a aposentadoria e pretende utilizar esse dinheiro daqui a 30 anos.
Você colocaria os dois objetivos no mesmo investimento?
Provavelmente não.
E é por isso que não existe "o melhor investimento".
Existe o investimento mais adequado para determinado objetivo.
Antes de investir, pense em pelo menos três coisas:
Quando vou precisar desse dinheiro?
Quanto risco estou disposto a aceitar?
Preciso conseguir resgatar esse dinheiro rapidamente?
Essas três perguntas já eliminam muitos investimentos inadequados.
Primeiro, proteja o que você construiu
Se você acabou de começar a poupar, talvez seu primeiro objetivo ainda não seja buscar grandes rentabilidades.
Talvez seja proteger o que você já conseguiu construir.
É aqui que entra a reserva de emergência.
Imagine que você finalmente conseguiu juntar R$ 5.000.
Está orgulhoso. Até que seu carro quebra. Ou aparece uma despesa inesperada.
Se esse dinheiro estiver disponível rapidamente e com baixo risco, você resolve o problema.
Se não estiver, talvez precise recorrer ao cartão de crédito ou a um empréstimo.
E aí você pode acabar pagando juros enormes para resolver um problema que poderia ter sido resolvido com a própria reserva.
Por isso, antes de pensar em multiplicar patrimônio, precisamos aprender a protegê-lo.
Para a reserva, características como segurança e liquidez costumam ser mais importantes do que buscar a maior rentabilidade possível.
E depois da reserva?
Agora sim começa uma nova etapa, você já tem sua proteção financeira. Continua poupando todos os meses, e começa a construir patrimônio para objetivos maiores.
É aqui que entram as diferentes classes de ativos.
E você não precisa decorar dezenas de nomes.
Vamos simplificar:
Renda fixa
Na renda fixa, de maneira bem simplificada, você está emprestando dinheiro para alguém.
Pode ser para o Governo, pode ser para um banco, pode ser para uma empresa.
E, em troca, você recebe uma remuneração conforme as condições daquele investimento.
Alguns exemplos que você provavelmente já ouviu falar:
Tesouro Direto
CDB
LCI
LCA
Títulos de crédito privado
Mas cuidado com uma ideia:
Renda fixa não significa que você nunca pode perder dinheiro ou que todo investimento é igual.
Existem riscos diferentes, prazos diferentes, liquidez diferente e formas diferentes de remuneração.
Por isso, não basta olhar para a rentabilidade.
Renda variável
Agora entramos em um terreno diferente.
Na renda variável, você não sabe exatamente qual será o retorno do investimento no futuro.
O preço pode subir.
Pode cair, pode ficar meses andando de lado, e isso faz parte do jogo.
Um dos exemplos mais conhecidos são as ações.
Quando você compra uma ação, está adquirindo uma pequena participação em uma empresa.
Outro exemplo são os fundos imobiliários, que permitem ao investidor ter exposição a diferentes ativos e operações relacionadas ao mercado imobiliário por meio de um fundo.
Também existem os ETFs, que permitem investir em uma carteira de ativos seguindo determinado índice ou estratégia.
Percebe como o mundo dos investimentos começa a ficar maior?
E é justamente por isso que você não deveria começar escolhendo ativos aleatoriamente.
"Mas qual rende mais?"
Essa é provavelmente uma das primeiras perguntas de quem começa a investir.
E eu entendo.
Você trabalhou, economizou e agora quer que seu dinheiro cresça.
Mas pense comigo:
Se alguém perguntasse:
"Qual é o melhor carro?"
Você conseguiria responder sem saber para que a pessoa precisa dele?
Um carro pode ser excelente para uma família.
Outro pode ser melhor para quem trabalha fazendo entregas.
Outro pode ser melhor para quem gosta de viajar.
Com investimentos acontece algo parecido.
O investimento que faz sentido para uma pessoa pode ser completamente inadequado para outra.
Por isso, rentabilidade é apenas uma parte da decisão.
O investimento precisa combinar com a sua vida
Imagine duas pessoas.
A primeira tem 20 anos, mora com os pais, possui poucos gastos e está investindo pensando na aposentadoria.
A segunda tem 32 anos, possui filhos e pretende utilizar o dinheiro para dar entrada em um imóvel daqui a dois anos.
As duas podem investir R$ 1.000 por mês.
Mas será que deveriam montar a mesma carteira?
Provavelmente não.
O prazo é diferente.
A capacidade de assumir riscos é diferente.
Os objetivos são diferentes.
A necessidade de liquidez é diferente.
O investimento precisa se adaptar à vida da pessoa, e não o contrário.
Você não precisa começar complicado
Existe uma armadilha comum quando começamos a estudar investimentos.
Descobrimos que existem milhares de produtos.
Fundos.
Ações.
FIIs.
ETFs.
Criptomoedas.
Investimentos internacionais.
Debêntures.
E por aí vai.
De repente, parece que precisamos ter 15 investimentos diferentes para sermos bons investidores.
Não é assim.
No começo, simplicidade pode ser uma grande vantagem.
É muito melhor ter uma estratégia simples que você entende e consegue manter por muitos anos do que uma carteira cheia de produtos que você não sabe explicar.
E onde entram os investimentos internacionais?
Conforme o patrimônio cresce, também podemos pensar em diversificação geográfica.
Afinal, por que colocar todo o seu patrimônio dependendo de apenas um país?
Investir no exterior pode trazer exposição a outras economias, moedas e empresas.
Mas isso é assunto para outro artigo.
O importante agora é entender o princípio:
Diversificar não significa comprar um pouco de tudo.
Significa construir uma carteira em que os riscos estejam distribuídos de maneira coerente com seus objetivos.
O maior erro é procurar o investimento que mais rende
Se você está começando agora, quero te propor uma mudança de pensamento.
Em vez de perguntar:
"Qual investimento está rendendo mais?"
Comece perguntando:
"Qual investimento faz sentido para o meu objetivo?"
Porque imagine que você encontre um investimento que promete uma rentabilidade excelente.
Mas você precisa do dinheiro daqui a seis meses.
E o investimento possui prazo maior ou pode sofrer uma grande oscilação justamente quando você precisar resgatar.
A rentabilidade que parecia maravilhosa pode se transformar em um problema.
É como comprar uma passagem para uma viagem que acontece daqui a três meses, mas escolher um voo que só chega depois que a viagem acabou.
Não adianta ser um ótimo voo.
Ele não serve para o seu objetivo.
Afinal, o que fazer com o dinheiro?
Podemos resumir tudo em uma sequência simples:
1. Organize sua vida financeira.
2. Construa sua reserva de emergência.
3. Defina seus objetivos.
4. Determine o prazo de cada objetivo.
5. Entenda quanto risco você consegue assumir.
6. Escolha as classes de ativos adequadas.
7. Só então escolha os produtos.
Essa ordem pode parecer simples.
E é justamente esse o ponto.
Investir bem não precisa começar complicado.
Conclusão
Talvez você tenha passado os últimos meses tentando aprender a gastar menos.
Agora chegou a hora de aprender a fazer melhor uso do dinheiro que conseguiu guardar.
E essa é uma mudança importante.
No começo da sua jornada financeira, você trabalha para ganhar dinheiro.
Depois aprende a guardar.
Em seguida, começa a investir.
E, com tempo e disciplina, o dinheiro que você acumulou começa a trabalhar junto com você.
Mas não tenha pressa.
Você não precisa encontrar o investimento que vai transformar R$ 500 em R$ 1 milhão rapidamente.
Precisa encontrar uma estratégia que faça sentido para seus objetivos.
Primeiro vem a organização. Depois a proteção. Depois o investimento. E, com o tempo, a construção do patrimônio.
Se você chegou até aqui, já fez uma das partes mais difíceis: aprendeu a não gastar todo o dinheiro que ganha.
Agora começa uma nova fase.
Aprender a fazer esse dinheiro trabalhar por você.
"Na casa do sábio há tesouro e azeite, mas o homem insensato os desperdiça."
Provérbios 21:20
Guardar dinheiro é importante.
Mas saber o que fazer com aquilo que você guardou é o próximo passo.